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É uma tendência, já há um bom tempo, reinventar os personagens clássicos do cinema e da literatura. Na tela grande, os vampiros foram os que mais sofreram transformações. Desde os anos 80, com “ Os Garotos Perdidos”, os sanguessugas rejuvenesceram, e de sedutores “senhores” como Christopher Lee passaram a jovens cabeludos fãs de Jim Morrisson. Aos poucos foram perdendo o medo do alho, do crucifixo e da água benta. O cenário também mudou e os belos castelos europeus transformaram-se em enormes edifícios e barulhentas casas noturnas. No final do século passado, as estacas tão usadas por Peter Cushing caíram em desuso. Entraram em cena as pistolas automáticas e outras armas de última geração como as usadas pelo vampiro negro em “ Blade” e posteriormente na luta entre os hematófagos e licantropos em “ Anjos da Noite”. Em “ Rise - A Ressurreição”, os vampiros foram privados de seu maior orgulho: os grandes e salientes caninos. Para se alimentar de sangue, com uma pequena adaga cortam a jugular de suas vítimas. Diminuídos a quase humanos, os vampiros de “ Rise” não possuem força descomunal, nem voam, desaparecem e embora tentem, não são sedutores como Drácula ou mesmo o andrógino Lestat.
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Mas, se a caracterização do mito vampírico fosse o maior defeito de “Rise – A Ressurreição”, todos estariam felizes. Realizado pela Ghost House Pictures, produtora de Sam Raimi (diretor do clássico “Evil Dead – A Morte do Demônio”), especializada em filmes de horror, que tem em catálogo “O Grito” (The Grudge, 2004), “O Pesadelo” (The Boogeyman, 2005), “O Grito 2” (The Grudge 2, 2006), “Os Mensageiros” (The Messengers, 2007) e “30 Dias de Noite” (30 Days of Night, 2007), “Rise” ficou no limbo por quase dois anos, antes de ser distribuído nos cinemas americanos. No pouco tempo que ficou em cartaz colecionou críticas negativas, que condenaram o filme ao lançamento direto em DVD no resto do mundo.


Dirigido e escrito por Sebastian Gutierrez (roteirista de “
Na Companhia do Medo” e “
Serpentes a Bordo”), “
Rise” apresenta uma trama pouco original, sem reviravoltas e sem emoção. Gutierrez ainda tenta ousar um pouco, com a narrativa fragmentada, intercalando os acontecimentos
“antes” e
“após” a transformação. Não que fique confuso, pelo contrário, nada acontece durante os 90 minutos de exibição de “
Rise”. O dilema pós-transformação é até bem aproveitado no início, com destaque para a seqüência em que a Sadie vampira tenta um suicídio se jogando de um viaduto. É lógico que ela, mesmo arrebentada e atropelada, sobrevive. Neste ponto surge do nada um casal de
“mentores”, que a ajuda na aceitação de sua condição de morta-viva. Com uma pequena besta (uma espécie de arpão), Sadie parte então em busca de vingança. A matadora de vampiros, como num jogo de videogame, enfrenta dois ou três sanguessugas (que não oferecem muita resistência), até chegar ao chefão Bishop (que de chefão não tem nada).

Mas nem tudo é ruim em “
Rise”. O destaque fica mesmo para Lucy Liu (de
“Kill Bill”), estreando (com o pé esquerdo, diga-se de passagem) no gênero fantástico. Mesmo que sua interpretação acabe ofuscada pelas situações pouco convencedoras propostas pelo roteiro, algumas cenas mais
“calientes” quase valem o aluguel do DVD. O elenco ainda conta com Michael Chiklis (o Coisa do
“Quarteto Fantástico”) como o detetive Rawlins e o veterano ator japonês Mako (de
“O Combate: Lágrimas do Guerreiro” e “
Robocop”) no seu último trabalho (o ator faleceu em 2006, antes da estréia de “
Rise” nos cinemas). O ponto fraco do elenco é o pouco carismático James D’Arcy, de “
Maldição” (An American Haunting, 2005), interpretando o antagonista Bishop. Os produtores da
Ghost House ainda não aprenderam que num filme de horror, na grande maioria das vezes, o vilão é a grande estrela. Ah, e não esqueçamos a talentosa namorada do diretor, a linda Carla Gugino (de
“Sin City”), interpretando a vampira Eve e uma ponta do roqueiro satânico Marilyn Manson.

A versão em DVD lançada pela
Universal no Brasil não traz nenhum material extra. Não que o filme merecesse uma edição muito caprichada, mas talvez uma faixa em áudio com comentários do diretor/roteirista nos ajudasse a compreender quais eram suas reais intenções ao cometer “
Rise”.

Ainda que tecnicamente bem acabado, “
Rise – A Ressurreição” se mostra pretensioso demais, se afunda num roteiro vazio e só não é a bomba do ano pela presença da pantera Lucy Liu. Aos mais corajosos que arriscarem a locação, não digam que não avisei.
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