ANO DE LANÇAMENTO
2003 (Japão)
DIRETOR

Takashi Shimizu

ELENCO
Megumi Okina
Misaki Ito
Misa Uehara
Yui Ichikawa
Kanji Tsuda
Kayoko Shibata
Yukako Kukuri
Shuri Matsuda
Yoji Tanaka
Takashi Matsuyama
Yuya Ozeki
Takako Fuji
Chikara Ishikura
Chikako Isomura
Daisuke Honda
ROTEIRO

Takashi Shimizu

SITE OFICIAL

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TRAILER

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ESTRÉIA NO JAPÃO:

25 de janeiro de 2003

DISTRIBUIDORA:

a definir

JU ON: THE GRUDGE
(Ju-On: The Grudge)


Uma trabalhadora voluntária que cuida Da casa de pessoas que precisam de ajuda, Nishina Rika (Okina), entra no quarto de um paciente e descobre uma presença fantasmagoricamente estranha que se encontra atrás de uma porta selada com fita adesiva. Sua descoberta desencadeia uma maldição que confunde os investigadores da polícia. Uma investigação mais intensa conduz Izutni Toyama (Uehara), uma detetive que investiga o caso de um homem que assassinou sua esposa em casa, mas cujo filho nunca forai encontrado. Mas quando o irritado "Ju-On", o espírito do vingador que infectou a casa, alcança além de seus limites para matar Toyama e sua filha, Rika percebe que o horror está aumentando...

IMAGENS

CRÍTICAS

Atenção: Contém detalhes sobre o filme!

“Meu nome é Toshio”

A Terra do Sol Nascente tem surpreendido cada vez mais com terror de alta qualidade recheado de sustos e cenas macabras, onde o horror perturbador prevalece à simples carnificina desmedida. Se em “Ringu” (Japão, 1998) dizíamos “Nossa, um filme de terror japonês!?”, agora já podemos afirmar sem muitos alardes “Mais um bom filme de terror nipônico.” ao nos referirmos a “Ju-On: The Grudge” (Japão, 2003).

Escrito e dirigido por Takashi Shimizu, “Ju-On” narra histórias correlacionadas de vítimas da maldição de um espírito vingativo que assombra uma residência.

A príncipio, a falta de linearidade da narrativa e a ausência de informações “mastigadas” típica dos filmes japoneses e europeus confundem o espectador desatento. Por isso, “Ju-On” é uma obra para ser vista mais de uma vez.

Semelhante ao Tarantinesco “Tempos de Violência” (Pulp Fiction, EUA, 1994) e até ao nacional “Cidade de Deus” (Brasil, 2002), histórias encadeadas de maneira não-cronológica encaixam-se formando todo um cenário de horror macabro.

Cada história tem a apresentação de um título que é, invariavelmente, o nome do protagonista daquela história. Dessa maneira, “Ju-On” inicia-se com cenas sangrentas em preto e branco de um crime. Em seguida, conhecemos a história de Nishina Rika (Megumi Okina), uma estagiária de assistente social que vai a uma estranha residência para cuidar de uma senhora idosa catatônica chamada Sachie (Chikako Isomura). Lá, Rika liberta uma criança (Yuya Ozeki) e um gato presos em um guarda-roupa e flagra um espectro negro possuindo e matando a idosa catatônica. Destaque para o momento em que Rika encontra uma velha foto amassada e queimada onde vemos um casal e seu filho.

Antes que nos perguntemos qual é a relação da história de Rika com o crime mostrado inicialmente, somos atropelados pela segunda história: Kazumi. Esta narrativa refere-se a alguns dias antes da visita de Rika a Sachie. Kazumi (Shuri Matsuda) é o nome da enteada de Sachie e dona da casa visitada por Rika.

Já nessa segunda história, entendemos que Kazumi é casada com Katsuya (Kanji Tsuda) e não possuem nenhum filho. Também testemunhamos algumas das cenas mais apavorantes do filme e compreendemos como a casa ficou naquele estado encontrado por Rika. Nesse instante, somos apresentados “oficialmente” ao garoto e ao gato encontrados, por Rika no início.

Em seguida, a terceira história mostra a chegada do marido de Kazumi em casa naquele dia fatídico. Katsuya encontra sua mulher em choque e acaba vitimado pela maldição.

Após a terceira história, que fecha o ciclo dos moradores da casa, a maldição espalha-se por visitantes (como a irmã de Katsuya, em outra história), uma amiga de Rika chamada Mariko (Kayiko Shibata) e até um segurança.

Essa desconexão entre as mortes também confunde um pouco a mente do espectador, mas nada o deixa mais atribulado que o momento de flash-forward, onde avançamos a um futuro próximo para testemunhar a morte de algumas colegiais, logicamente, pela maldição.

Entre as colegiais destaca-se a bela Izumi (Misa Uehara), que foi até a casa maldita com suas amigas, mas saiu antes que estas morressem. Mais do que uma simples curiosa que visitou a casa e foi amaldiçoada, Izumi é filha de um policial que investigou o crime original ocorrido na residência, aquele mostrado no prólogo em preto e branco.

A garota aparece ainda criança no início do filme fazendo estranhos desenhos no chão, quando seu pai é convocado pela polícia para desvendar os novos acontecimentos que cercam o local. Seu pai, por sua vez, é o detetive Nakagawa (Hirokazu Inoue), um perturbado policial que antevê a desgraça que ocorrerá com a própria filha em uma espécie de clarividência. Esta cena é muito interessante, pois ao mesmo tempo que Nakagawa vê sua filha, no futuro, como uma adolescente vitimada pela maldição, sua filha (na visão) também o vê, como um elo entre o presente e o futuro. Posteriormente, na história de Izumi adolescente, o fantasma de seu pai, o detetive que não chegamos a saber como morre, surge para ela quando a maldição está ativa.

Uma única informação que ficou sobrando nesse filme surge exatamente na história de Izumi, quando a adolescente entra em casa e sua mãe ouve no rádio o que o destino reservou para a protagonista Rika, da primeira história. Esse fechamento pode ser considerado desnecessário.

Outro ponto discutível é o final, passivo de interpretações: Qual é a relação de Rika com a mulher (mãe do garoto) assassinada na casa? Por que Rika não morreu?

Independente desses detalhes, “Ju-On” é terror de primeira linha.

A idéia dos dedos sobre o rosto das pessoas, remetendo à grade através da qual o menino Toshio (Yuya Ozeki) viu sua mãe ser morta por seu pai, por motivo de adultério, elogia a inteligência do espectador.

Aspectos perturbadores como o estranho zunido que as vítimas sentem na cabeça, a forma de locomoção estilo aranha da mãe morta (e seus estalos horríveis), a cena das colegiais mortas, da mão durante o banho e da alma embaixo do cobertor certamente tornar-se-ão antológicas, estas duas últimas, principalmente, por inserirem o terror nos momentos comuns de segurança das pessoas: no banho e nas cobertas.

Comparações com “Ringu” por utilizar crianças e maldições mortais são inevitáveis, porém, irrelevantes. Da mesma maneira que informar que assim como os americanos se renderam e fizeram o remake “O Chamado” (The Ring, EUA, 2002) já está pronta a versão do Tio Sam de “Ju-On”, com os ídolos teen Sarah Michelle Gellar (da série Buffy, a caça-vampiros) e Jason Behr (da série Roswell). Esta versão americana é dirigida pelo próprio Takashi Shimizu.

Vale notar que o filme comentado aqui é a versão de 2003 chamada de “Ju-On: The Grudge”. Antes disso, Takashi Shimizu fez duas versões de “Ju-On” para a TV em 2000, sendo que a primeira conta a história do assassinato original na casa e o início da maldição e o segundo apresenta 45 minutos a mais de filme. Em 2003, outras duas versões foram feitas, sendo a primeira a comentada neste artigo. A outra é uma continuação chamada “Ju-On: The Grudge 2”.

Enquanto o mundo espera a nova obra de Shimizu, “Marebito” (Japão, 2004) – filmado em apenas 8 dias - onde um cameraman obcecado investiga uma lenda urbana envolvendo fantasmas que assombram os subterrâneos de Tóquio, assista a mais esse expoente do horror japonês e seja testemunha da onda oriental que veio para ficar.

COTAÇÃO:    

Luciano Milici