THE EVIL DEAD
(The Evil Dead, EUA, 1982)


Direção: Sam Raimi
Roteiro: Sam Raimi
Produção: Robert G. Tapert; Irvin Shapiro
Edição: Edna Ruth Paul
Música: Joseph LoDuca
Elenco: Bruce Campbell (Ashley 'Ash' J. Williams); Ellen Sandweiss (Cheryl); Richard DeManincor (Scott); Betsy Baker (Linda); Theresa Tilly (Shelly); Philip A. Gillis; Dorothy Tapert; Ted Raimi


SINOPSE
Grupo de jovens passa fim de semana numa cabana na floresta. Lá eles descobrem o diário de um arqueólogo e inadvertidamente liberam uma terrível maldição...

A Experiência Definitiva em Horror Repulsivo


No cinema de horror, é interessante salientar a existência e fazer uma análise de dois sub-gêneros principais com características e estilos distintos, que foram criados de forma natural ao longo de mais de um século de cinema. Um deles é mais antigo, numa época onde os filmes se preocupavam em enriquecer os roteiros e transmitir ao público uma sensação de medo e pavor, através principalmente de situações sugeridas que causavam desconforto. As histórias exploravam temas sobrenaturais como mansões assombradas, maldições, "cientistas loucos", fantasmas, ou mesmo os grandes monstros consagrados do cinema como o vampiro "Drácula" (tendo o filme homônimo de 1931 com Bela Lugosi como um de seus expoentes máximos); a "Criatura de Frankenstein" (retratada no clássico de 1931 pelo magnífico ator
Boris Karloff); o "Lobisomem" (1941, com Lon Chaney Jr.); a "Múmia (1932, com Boris Karloff), o "Monstro da Lagoa Negra" (1954, uma criatura mutante, misto de homem e anfíbio); o "Fantasma da Ópera" (1926, com Lon Chaney como um psicopata desfigurado); e outras dezenas de produções de baixo orçamento, porém de alto entretenimento.



O outro sub-gênero veio somente mais tarde sendo representado pelos filmes de "violência explícita", ou aqueles cujos roteiros procuram mostrar o horror de forma mais crua e direta em vez de apenas a sugestão. O objetivo não é somente assustar como também enojar o público. As histórias em sua maioria são clichês desgastados prevalecendo muitas vezes os impressionantes efeitos especiais. As características principais desses filmes são a presença de muito sangue, tripas, vômitos, mutilações, massacres, demônios, psicopatas, monstros asquerosos, etc. Pertencentes a esse contexto, citamos apenas alguns entre muitos outros, como o clássico em preto e branco "A Noite dos Mortos Vivos" (dirigido pelo mestre George Romero em 1968, com sua legião de zumbis comedores de carne humana); a enorme franquia "Sexta-Feira 13" (saga que iniciou em 1980 com o imortal psicopata Jason Voorhees batendo o recorde de assassinatos de adolescentes, e de sequências também); o clássico "O Massacre da Serra Elétrica"
(1974, introduzindo o maníaco da motosserra "Leatherface"); "Hellraiser" (1987, inspirado em obra do escritor Clive Barker, com suas criaturas do inferno lideradas por "Pinhead"); e sem dúvida nenhuma, um dos maiores e mais definitivos representantes do estilo, "The Evil Dead".



Infelizmente para nós brasileiros, foi feita uma verdadeira bagunça com os títulos dos dois primeiros filmes da franquia. The Evil Dead (1982) foi lançado em vídeo VHS pela "Look" com o nome de "A Morte do Demônio". Esse mesmo filme foi exibido nos cinemas como "Uma Noite Alucinante - Parte 1 - Onde Tudo Começou". Já Evil Dead II (1987) foi lançado em vídeo VHS pela "Tec Home" com o nome de "Uma Noite Alucinante" e foi exibido nos cinemas em 1988 com esse mesmo nome, seguido do subtítulo "Mortos ao Amanhecer". Toda essa confusão aconteceu porque o segundo filme estreou por aqui antes do original. E para complicar mais ainda, vale registrar um protesto quanto ao péssimo título nacional escolhido para "The Evil Dead". O filme recebeu o nome equivocado de "A Morte do Demônio" quando o ideal seria manter o título original.
Porém, se ainda assim os responsáveis pela distribuição da fita no país preferissem optar por um nome nacional, o mais correto seria algo como "Os Mortos Malignos", uma tradução literal e mais coerente com a obra.



Toda essa longa introdução teve por objetivo situar o leitor e fã para uma interpretação de dois tipos básicos do cinema de horror: o "sugerido" e o "explícito". Nessa última categoria os últimos anos foram invadidos por uma avalanche de produções com verdadeiros banhos de sangue em suas histórias. Filmes como "Fome Animal" (1990, de Peter Jackson, que mais tarde dirigiria a trilogia "O Senhor dos Anéis"), mostram um excesso tão grande de tripas e corpos decepados que parece que recebemos uma chuva de sangue ao ver o filme. Só que no caso específico desse filme, a história tem muitos elementos de humor negro inseridos em sua trama, a qual tem o objetivo de enojar o público em meio a momentos de risos. Comparando com "The Evil Dead", este último tem menos "sangue", mas não há humor negro. Se o espectador rir de alguma coisa que está vendo na tela, não é porque é engraçado, e sim porque está transtornado pelas cenas grotescas apresentadas a sua frente.

Nesse aspecto, a "essência" de "The Evil Dead" é infinitamente superior a qualquer outro filme já realizado, mesmo que tenha muito mais violência e sangue. Já o segundo filme da série, "Evil Dead II", é na verdade uma refilmagem da mesma história do original, só que inserindo elementos de humor negro que inevitavelmente diminuíram sua carga de agressividade brutal. Porém, ainda assim é um bom filme de horror, amparado por um orçamento bem maior e efeitos especiais mais sofisticados.



Ambos os filmes foram escritos e dirigidos pelo jovem e competente cineasta Sam Raimi (que faria mais tarde a mega-produção "Homem-Aranha" e suas sequências), e estrelados pelo hábil Bruce Campbell, que também foi produtor. Como já mencionado, há diferenças entre as duas produções mesmo porque não há uma sequência exata entre elas. O segundo filme é apenas uma variação da história do primeiro e está mais voltado para o humor negro. Já o primeiro filme é bem mais violento, repleto de cenas repugnantes e assustadoras, tanto é que foi proibida sua exibição na Inglaterra por dois anos, e mesmo assim ganhou vários prêmios em festivais sendo até hoje aclamado pelos fãs como um dos principais filmes de horror já realizados.

Desde 1978, o jovem Sam Raimi com a ajuda do produtor Robert G. Tapert e do ator Bruce Campbell, estavam planejando realizar um filme diferente e de impacto.
Então um ano depois eles lançaram o violento e raro "Within the Woods", cuja história acabou dando origem em 1982 ao brutal "The Evil Dead". Nada melhor que o escritor Stephen King para comentar esse projeto: "Eu gosto desse filme, é diferente dos outros". O apoio de King foi fundamental para o sucesso da produção. A história é simples e sem novidades, girando em torno da descoberta de um livro antigo amaldiçoado chamado de "O Livro dos Mortos". Esse artefato, confeccionado e escrito há mais de três mil anos, com pele e sangue humanos, era composto de frases e passagens cabalísticas de rituais de sepultamento e feitiços funerários, que uma vez recitadas tinham o poder de ressuscitar demônios até então adormecidos, e forças malignas que vagam pelas florestas e pela escuridão da civilização, as quais uma vez despertadas, podiam se apossar dos vivos. "O Livro dos Mortos" nada mais é do que uma versão do famoso e obscuro "Necronomicon", mito largamente explorado na literatura macabra do escritor Howard Phillips Lovecraft.

Um grupo formado por cinco jovens estão em passeio nas montanhas do Tenessee e se hospedam numa velha cabana abandonada. Ashley (Bruce Campbell), sua namorada Linda (Betsy Baker) e sua irmã Cheryl (Ellen Sandweiss), além do casal de amigos Scott (Hal Delrich) e Shelly (Sarah York), procuram apenas bons momentos de diversão e descanso, não imaginando o inferno que os aguardava. Eles encontram no porão um estranho livro acompanhado de um gravador com uma fita, material pertencente a um arqueólogo que trabalhava em misteriosas escavações nas Ruínas de Kandar. Os jovens resolvem ouvir a fita, que reproduz a narração do arqueólogo falando de suas descobertas e explicando que involuntariamente invocou entidades demoníacas que tinham o poder de se apossar dos vivos. A única forma de livrar o corpo do espírito maligno era através do esquartejamento. E acidentalmente a fita recita um encantamento diabólico:
"Tatra amistrobin azarta, tatis manor manziz hounaz, ansobar saman darobza dahir saika danz deroza, kandar, kandar, kandar". (Nota do Autor 1: Não me responsabilizo pela citação dessas palavras e a possibilidade hostil de suas consequências...). Dessa forma, os jovens inadvertidamente permitiram ressuscitar ferozes demônios "kandarianos" que estavam inativos. Os espíritos malignos estavam apenas aguardando a oportunidade de se manifestarem e se apossar dos humanos um a um, sobrando apenas o herói Ashley para combatê-los e lutar bravamente por sua vida.

São várias as sequências de destaque como a cena perturbadora em que Cheryl sai à noite sozinha pelo bosque e é estuprada violentamente por árvores vivas, possuídas por demônios. Ou ainda quando a mesma garota torna-se a primeira vítima de possessão, gritando com uma voz gutural aos seus amigos: "Por que vocês perturbaram nosso sono? Acordando-nos de nossa duradoura inatividade? Vocês morrerão! Como os outros antes de vocês! Um por um, nós vamos tomá-los!". Essa sequência já é clássica e define apenas o início da carnificina sangrenta que estava por vir.
O desfile de atrocidades continua quando Shelly é a próxima possuída e num momento de insanidade total, ela arranca a própria mão direita vagarosamente com os dentes numa cena grotesca. Após muito sangue, gosmas coaguladas, vísceras expostas, líquidos putrefatos, carne destroçada, ossos partidos, desmembramentos e cabeças decepadas, a noite infernal termina e o início da manhã reservaria um desfecho digno para o herói Ashley, permitindo várias interpretações e certamente fugindo do convencional clichê de final feliz. Sem dúvida nenhuma, uma obra prima do horror com algumas das cenas mais repugnantes e violentas já filmadas, tudo de forma avassaladora.



Tanto Sam Raimi como Bruce Campbell nasceram na mesma pequena cidade de Royal Oak (Michigan, EUA). Campbell veio ao mundo em 22/06/1958, seguido de perto por Raimi (23/10/1959). Uma vez jovens com afinidades em comum, como a preferência pelo cinema fantástico, eles se conheceram na adolescência e decidiram formar uma parceria que resultaria em verdadeiras preciosidades do gênero.

Sam Raimi é um profissional multifuncional, trabalhando como diretor, roteirista, produtor e até ator. Conhecido por seu talento ao manipular uma câmera com rápidos movimentos acrobáticos e cortes bruscos, seu primeiro filme de reconhecimento foi "The Evil Dead" em 1982 (ele tinha apenas 22 anos de idade), que formou depois uma trilogia com mais dois filmes produzidos em 1987 e 93 (Nota do Autor 2: Em 1993 foi lançado "Evil Dead III: Army of Darkness" ou "Exército da Escuridão", completando a trilogia, contando as aventuras de Ashley na época medieval, mantendo a linha humorística do segundo filme e trazendo alguns bons efeitos especiais).

Ainda no gênero horror, Raimi dirigiu "Darkman - Vingança Sem Rosto" em 1990 e "O Dom da Premonição" (2001). Também experimentou outras temáticas com a comédia policial "Dois Heróis Bem Trapalhões" (1985), o western "Rápida e Mortal" (95, com Sharon Stone), o suspense "Um Plano Simples" (98, um fenomenal thriller abordando a cobiça humana), o drama romântico "Por Amor" (99), até culminar no mega sucesso "Homem-Aranha" (2002), filme do famoso personagem de quadrinhos que transformou-se numa das maiores bilheterias da história. (N.A. 3: Em 2009 ele dirigiu o divertido “Arraste-me Para o Inferno” / “Drag me to Hell”, e para 2010 foi anunciada uma refilmagem de “The Evil Dead).



O ator Bruce Campbell foi o astro principal da trilogia "Evil Dead" e demonstrou muita habilidade no papel de herói combatente de demônios ferozes. Sua amizade com Raimi proporcionou algumas participações especiais em pontas rápidas em filmes como "Darkman" e "Homem-Aranha". Ele também experimentou a direção, sendo responsável por alguns episódios na televisão da série de fantasia "Hércules", produzida pelo amigo Robert G. Tapert. Sua filmografia inclui ainda atuações na série de TV "Arquivo X" e no filme "Cine Majestic" (2001), dirigido por Frank Darabont.

Como curiosidades podemos notar no filme algumas possíveis falhas totalmente desprezíveis por se tratar de "The Evil Dead", como principalmente o fato de Ash, ferido várias vezes, não ter sido possuído por um dos demônios kandarianos, enquanto todos os seus amigos eram brutalmente transformados em mortos malignos. A reposta é simples: alguém tinha que sobrar para combater os zumbis e lutar por sua vida, afinal essa é a premissa de todo o filme. Outro possível erro foi quando Ash toma literalmente um banho de sangue na explosão de um cano e no momento seguinte ele está limpo novamente. O mesmo aconteceu com sua namorada Linda, que ao ser possuída transformou-se numa criatura hedionda repleta de feridas sangrentas e quando Ash a amarrou numa mesa para esquartejá-la com uma moto-serra, ela estava totalmente com o rosto normal e limpo. Como os demônios estavam manipulando a mente de Ash, criando confusões entre ilusão e realidade, essas cenas podem não ter o menor efeito.



O filme foi lançado no Brasil também em DVD com distribuição em banca pela "LW Editora" e a seção de "Extras" traz uma coletânea de 20 minutos com filmagens de testes de cena, onde podemos ver o nome do filme como sendo "Book of the Dead" (Livro dos Mortos), provável título inicial que depois foi alterado para o conhecido "The Evil Dead" (aliás, bem melhor e menos convencional). Outra coisa interessante notada no final dos créditos do disco é uma frase com a seguinte tradução aproximada: "The Evil Dead, a experiência definitiva em horror repulsivo." (aliás, também concordo).

Para concluir: apesar de "The Evil Dead" ter sido conduzido por um diretor e atores ainda estudantes muito jovens e em início de carreira; ter um roteiro clichê com uma história simples e óbvia (porém elementos como cabanas abandonadas em florestas fantasmagóricas e povoadas por demônios são sempre alguns dos melhores ingredientes para um filme assustador); e ter efeitos especiais toscos (fato perfeitamente compreensível pelo baixíssimo orçamento da produção), o filme é um dos mais cultuados na história do cinema de horror e faz parte de qualquer lista dos mais preferidos de qualquer fã do gênero, geralmente liderando o topo das preferências, provando que mesmo com pouco dinheiro, mas com muito talento, pode-se fazer uma obra-prima de valor inestimável.

(N.A. 4: Uma pequena base desse texto foi escrito originalmente em 1989 e publicado no fanzine “Megalon”, abordando os primeiros dois filmes da trilogia. Foi atualizado em outubro de 2002 (quando o filme completou 20 anos), acrescentando mais informações e novas impressões pessoais sobre a obra, e novamente atualizado em 06/01/10.)

Renato Rosatti


CONHEÇA OS PERSONAGENS E SEUS ATORES


ASH (Bruce Campbell)


Ashley 'Ash' J. Williams é um sujeito simples, bom caráter, sorridente e matador de demônios. Ele entrou na trilogia como um candidato a cadáver e saiu como um herói, o único capaz de matar demônios em qualquer época. Atrapalhado, consegue ressuscitar os seres das trevas, mas tem a capacidade de mandá-los de volta. Foi forçado a matar todos os seus amigos, inclusive a namorada, quando eles foram possuídos pelos demônios kandarianos. Teve a coragem de cortar a própria mão que já não mais obedecia a seus comandos e de transformá-la numa motosserra. Enfrentou um exército de mortos vivos, liderados por uma versão demoníaca dele próprio. Tudo isso sem deixar de lado o bom humor, típico dos heróis das histórias em quadrinhos. E agora vaga numa realidade alternativa, podendo estar num futuro distante ou num supermercado enfrentando o Mal e os clientes ruins.




CHERYL (Ellen Sandweiss)


Cheryl é irmã de Ash. Ela é a primeira a notar a presença de forças maléficas nos bosques. Quando foge para lá, ela é estuprada de forma violenta pelas árvores, o que altera o humor de qualquer um. Com isso, fica louca e acaba sendo facilmente possuída pelo demônio. Ash e seus amigos a prendem no porão da casa. Quase no final do filme, ela escapa de sua prisão e quase mata o próprio irmão, distraído.

Ellen Sandweiss esteve em Within the Woods, filme de 1978 que deu origem ao clássico The Evil Dead e também atuou no curta Shemp Eats the Moon ao lado de Bruce Campbell e Sam Raimi, seus colegas de faculdade. Após atuar como Cheryl, a atriz desapareceu das telas, só retornando em 2005 com Satan's Playground, de Dante Tomaselli. A partir daí, fez também o terror The Dread, as comédias de humor negro, My Name is Bruce (com Bruce Campbell), e Brutal Massacre: A Comedy (com Betsy Baker) e, por fim, o terror The Rain. A atriz também gravou episódios da série Dangerous Women (com Betsy e Theresa Tilly/Sarah York), atuando como Cheryl.



LINDA (Betsy Baker)


Linda é a namorada de Ash. Do grupo, ela é a mais sensata, segura e madura. Cheryl a apunhala no tornozelo com um lápis No 2. Ela é possuída pelo demônio, mas de forma inofensiva. Passa a maior parte do tempo cantando "We're gonna get you, we're gonna get you. Not another peep, time to go to sleep" (Nós vamos pegar você; nós vamos pegar você, sem mais um olhar, hora de dormir). Ash tenta enterrá-la, mas ela o ataca, forçando-o a decapitá-la.

Antes de atuar em The Evil Dead, Betsy Baker esteve numa produção para a TV, Word of Honor, em 1981. Depois de interpretar Linda, a atriz sumiu dos estúdios de gravação até 1990, quando fez o drama Appearances. Dezesseis anos se passaram até a Betsy resolver fazer o curta The Cat's Meow em 2006. Daí por diante não parou mais de trabalhar, fazendo aparições em séries de TV como Dangerous Women (com Ellen e Sarah York/Theresa Tilly) e ER e outros curtas. Em 2007, a atriz voltou a encontrar a companheira Ellen Sandweiss e outros astros do gênero no terror-humor Brutal Massacre: A Comedy, de Stevan Mena. Betsy também produziu o curta Life After Dead: The Ladies of the Evil Dead, documentário de Gary Hertz.





SCOTTY (Hal Delrich)


Scotty é o piadista, bem-humorado do grupo. Ele enfrenta os demônios ao lado de Ash, mas depois decide ir embora. Quando retorna, morre e é possuído pelo demônio. É dele que surge o erro mais tosco do filme, quando o personagem simplesmente aparece com um novo penteado e roupa na mesma cena. Aos 43 minutos, decide procurar sua namorada (Shelly) pela casa e olha em todos os cômodos. Na cena em que ele olha para dentro de uma banheira, vocês podem reparar claramente que o visual do ator (cabelo seco e depois lambido e roupas) que abre as cortinas não é o mesmo do que vira o rosto depois. È a típica cena filmada dias depois e que o figurinista come bola.




Dez minutos depois o ator novamente refez algumas cenas e seu visual diferente pode ser claramente notado. Detalhe: é uma cena seguida da outras, mas ninguém percebeu até hoje...O demônio está segurando seu pescoço, mas como ele conseguiu mudar o cabelo e as roupas tão rapidamente?



Depois de The Evil Dead, Hal Delrich mudou de nome para Richard DeManincor e só apareceu no filme Crimewave, de 85, dirigido também por Sam Raimi, com Bruce Campbell no elenco.




SHELLY (Sarah York)


Shelly, figura materna do grupo, é a namorada de Scotty. Shelly é possuída pelo demônio, quando está trocando de roupa no quarto. Ela ataca Scotty no banheiro, quando ele a procura (cena citada acima). Shelly-demônio é atirada na lareira, mas Scotty a tira de lá. Ela o ataca e ele é obrigado a desmembrá-la com um machado.

Sarah York fez o curta Torro. Torro. Torro!, de Scott Spiegel, antes de atuar em The Evil Dead. Depois mudou o nome para Theresa Tilly e apareceu num episódio da série Designing Women, de 87. e no filme para a TV, Appearances, de 1990, ao lado de Betsy Baker. Fez Debutante, de 98, e episódios das séries Ryan Caulfield: Year One e Family Law, em 99, e Six Feet Under, em 2001. Cinco anos depois, estaria no curta Projectorhead e, no ano seguinte, em Brutal Massacre: A Comedy (com Ellen e Betsy). Recentemente, entrou para o elenco da série Dangerous Women, com suas colegas de The Evil Dead. Também produziu o curta Life After Dead: The Ladies of the Evil Dead e também The Ladies of the Evil Dead Meet Bruce Campbell , ambos de 2007.

CURIOSIDADES

- O filme foi rodado com o título BOOK OF THE DEAD, escolhido por Sam Raimi. Na hora do lançamento, entretanto, o produtor Irvin Shapiro exigiu a mudança para THE EVIL DEAD temendo que as pessoas fossem ver o filme achando que continha citações literárias, sendo que o tal "Livro dos Mortos" aparece muito pouco na trama.

- A cabana abandonada onde o filme foi rodado era, realmente, uma cabana abandonada! E que pegou fogo, misteriosamente, alguns anos após as filmagens!

- No porão da cabana, é possível ver um pôster do filme QUADRILHA DE SÁDICOS, de Wes Craven.

- A voz do professor na gravação encontrada pelos jovens é do ator Bob Dorian, que não foi creditado.

- O líquido branco que os humanos possuídos por demônios cuspiam era leite. Raimi usou isso não só para mostrar que o "sangue" dos demônios era diferente, mas também conseguir uma classificação mais branda da censura, do que se usasse um sangue parecido com o real.

- A cena do sangue escorrendo sobre um projetor de cinema é uma homenagem de Sam Raimi a um amigo de escola, Andy Grainger. Quando Raimi e Bruce Campbell contaram a Grainger sobre a idéia para um filme, este respondeu: "Façam o que fizerem, deixem o sangue escorrendo na tela o tempo todo". E assim foi feita uma homenagem literal.

- A cabana usada para as filmagens não tinha porão. Assim, os produtores fizeram um buraco no piso, cavaram um pouco e colocaram um pedaço de escada, para as cenas onde alguém aparecendo entrando no porão. Sempre que os personagens estão caminhando no cenário do porão, as filmagens foram realizadas na garagem da casa de Sam Raimi.

- Supostamente, o personagem de Bruce Campbell se chama Ashley "Ash" J. Williams, mas nem em THE EVIL DEAD, nem em qualquer outro dos filmes da série, o nome de batismo do personagem é citado. Neste primeiro filme ele é chamado duas vezes de Ashley, e o restante do tempo de "Ash". Mesmo assim, o nome completo pegou e todo fã da série o conhece.

- As misteriosas palavras ditas pelo professor na gravação, e que tem o poder de despertar os demônios, são fragmentos da frase "Rob Tapert e Sam Raimi are the men on the side of the road" (Fulano e Beltrano são os homens do lado da estrada), entregando a participação especial do diretor e do produtor Tapert no início do filme, logo depois do carro onde estão os cinco amigos quase bater num caminhão.

- Um dos macabros desenhos no interior do Livro dos Mortos é uma reprodução da pintura "The Great Red Dragon and the Woman Clothed With the Sun", de William Blake. Este desenho tornou-se famoso como elemento principal do livro DRAGÃO VERMELHO, de Thomas Harris, onde o serial killer é "possuído" pelo dragão do desenho. O detalhe também é mostrado no remake RED DRAGON.

- EVIL DEAD foi um dos primeiros filmes a ser proibido na Inglaterra devido ao excesso de sangue e violência.

- Os atores possuídos por demônios normalmente eram substituídos por dublês com maquiagem carregada, que representavam os demônios. Os irmãos de Sam, Ted e Ivan Raimi, e o amigo Scott Spiegel (diretor de UM DRINK NO INFERNO 2), foram dois destes dublês.

- Sam Raimi fez a voz da força demoníaca que grita "Join us! Join us!" aos personagens.

- A atriz Betsy Baker faz uma cena em que tenta apunhalar Ash, cambaleando pela sala como se fosse cega. Bem, a atriz realmente não estava enxergando nada, graças às lentes de contato brancas, e realmente não fazia noção de onde Bruce Campbell estava!

- Há uma cena cortada, mostrada no DVD lançado em banca no Brasil, que acontece logo depois que todos os amigos de Ash são transformados em demônios. Ele sai da cabana e começa a gritar desesperado, antes de destruir o vidro de uma das janelas da cabana com um chute.

- O filme foi lançado nos EUA em uma versão especial para colecionador, em um estojo de plástico que imitava a capa do Livro dos Mortos mostrado na história.

Pesquisa e colaboração: Felipe M. Guerra.

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