Críticas

O Último Exorcismo – Parte 2 (2013)

O Diabo não é tão feio quanto podem pintar por aí, mas deixará uma sensação amarga de perda de tempo!

O Último Exorcismo 2 (2013)

O Último Exorcismo - Parte 2
Título Original: The Last Exorcism Part II
Ano: 2013 • País: EUA
Direção: Ed Gass-Donnelly
Roteiro: Ed Gass-Donnelly, Damien Chazelle
Produção: Marc Abraham, Thomas A. Bliss, Eric Newman, Eli Roth
Elenco: Ashley Bell, Julia Garner, Spencer Treat Clark, David Jensen, Tarra Riggs, Louis Herthum, Muse Watson, Erica Michelle, Sharice A. Williams, Boyana Balta, Joe Chrest

O Demônio já deixou de impressionar faz tempo! Não adianta se contorcer, vomitar coisas nojentas ou sacudir a cama…nem usar algum ator consagrado ou câmera em primeira pessoa. Sua aparição exaustiva em produções diversas enfraqueceram o Cão a ponto dele não representar mais uma ameaça, apenas justificativa para produtores endemoniados acharem que certos argumentos podem trazer retorno financeiro e até a possibilidade de continuar o que parecia improvável. Lembra daquela prequel do Exorcista, de 2005? E aquele filme barato que a PlayArte lançou em 2010, misturando diversas ideias, e a promessa de ser o derradeiro?

Custou apenas U$2 milhões, arrecadando pouco mais de 40, o que mais uma vez sugere que a fórmula “found footage” é um dos melhores custo-benefícios para o gênero fantástico. Por outro lado, dividiu opiniões, até mesmo entre os críticos do Boca do Inferno. Só para o infernauta ter uma ideia, na época do lançamento, o site publicou três críticas: uma valorizou o final pessimista e considerou o filme um interessante exemplar do gênero; outra apontou o trabalho como mediano, citando os melhores e piores momentos; já uma terceira opinião não mediu palavras para dizer que o longa de Daniel Stamm, realizado a partir de um roteiro co-escrito por Huck Botko e Andrew Gurland, estaria entre as maiores bombas de 2010.

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O Último Exorcismo acabou sendo abafado por outros filmes do estilo como A Filha do Mal e O Ritual, mas deixou um gosto amargo para o público em geral que parece não ter se envolvido com o argumento sobre um reverendo interessado em realizar um documentário provando que o demônio e possessões não existem. Depois de executar aproximadamente 150 exorcismos, Cotton Marcus (Patrick Fabian) sentiu que seria o momento certo de revelar que muitos usam a “palavra de Deus” a partir do que acreditar ser um encontro com o demônio. Ele decide, então, ir à pequena Ivanwood, Louisiana, para ajudar a jovem Nell Sweetzer (Ashley Bell), uma garota simples do campo, acusada pelo pai de estar possuída devido à morte de animais na fazenda. Inicialmente imaginando estar diante de uma vítima de esquizofrenia e até incesto, ele tardiamente se convence da verdade, diante de um ritual macabro na floresta e o nascimento de um bebê num parto que envolvia várias pessoas da cidade.

Muitos disseram que a situação final não justificava os acontecimentos no decorrer da produção. No entanto, deixaram de lado, algumas pistas apontadas pelo roteiro como relatos de moradores e sinais sobre o fim dos tempos, até mesmo na capela da cidade. Ainda assim, muitas perguntas ficaram sem resposta: qual a natureza desse demônio Abalam? Aquela criança que nasceu seria o AntiCristo? Quem, na verdade, engravidou Nell? E o que aconteceu com o pai dela, o tal Louis (Louis Herthum), impotente durante o ritual, especificado nos desenhos da garota?

Três anos após a estreia do longa, entrou em cartaz nos cinemas brasileiros uma continuação, intitulada O Último Exorcismo – Parte 2, com o subtítulo servindo de complemento e justificativa ao título aparentemente enganador: o “último” só poderia ter uma sequência se ele não ainda não tivesse terminado! A data escolhida para a estreia não poderia ser mais especial – 10/05/2013 -, dia em que o Boca do Inferno completa doze anos de existência, como o site mais antigo e completo do gênero no Brasil!

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Dirigido por Ed Gass-Donnelly, em seu segundo longa, após o elogiado thriller Small Town Murder Songs, a partir de um roteiro de sua autoria com o estreante Damien Chazelle, a continuação começa exatamente onde terminou o primeiro filme, após a morte do cinegrafista. A câmera abandonada na mata encerra a técnica “found footage“ para apresentar um filme nos padrões normais, iniciando com a aparição de Nell numa casa de família, num estado selvagem e inconsciente. Após uma passagem pelo psiquiatra, a garota volta a falar, considerando o episódio assustador do passado como algo que nunca existiu – como aconteceu com Charley Brewster em A Hora do Espanto 2. Ela é encaminhada para uma casa onde jovens se encontram sob proteção contra pais ou pessoas violentas com quem conviveram, com a tutoria de Frank Merle (Muse Watson, de Encontro Maligno);

Nell tenta começar uma nova vida, com a aproximação das colegas e até um emprego como camareira, onde nutre um interesse pelo jovem Chris (Spencer Treat Clark, de A Última Casa). Tudo parece bem, mas o demônio volta a se manifestar em aparições, pesadelos e episódios estranhos, deixando a garota com a sensação de que não pode confiar em ninguém e que o tal Abalam está em todos os lugares. “Ele nunca se afastou de você!“, seria bonito se não fosse aterrorizante imaginar que uma entidade maléfica se sente atraída por você!

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Tanto o espectador quanto a jovem ficam na dúvida se aquilo estaria realmente acontecendo ou seria apenas o reflexo de um trauma. Suas companheiras - Daphne (Erica Michelle), Gwen (Julia Garner, de As Vantagens de Ser Invisível) e Mo (Sharice A. Williams) – parecem estar envolvidas ou sofrendo as consequências de conviver com Nell. Contudo, o que pode ser dito sobre o Homem Estátua e o pastor? Fazem parte da seita ou apenas são frutos da imaginação?

O Último Exorcismo – Parte 2 opta por não explicar muito, nem trazer as respostas que o público procura. Às vezes, deixa evidente uma covardia como a da vidente bloqueada na tentativa de saber como a garota conheceu o demônio. Aliás, essa covardia estará presente por todo o longa, com a câmera evitando mostrar as mortes e a violência, contrariando o que foi feito no filme anterior (lembra do trágico fim de um gato?). Para tentar se livrar da sedução do demônio, Nell contará com a ajuda de Cecile (Tarra Riggs, de Histórias Cruzadas), Jeffrey (E. Roger Mitchell, que esteve em The Walking Dead) e Calder (David Jensen, de Looper: Assassinos do Futuro). Eles irão promover um ritual de exorcismo que lembrará bastante o do Arraste-me para o Inferno e o tal bode. E há também o retorno de um outro personagem do filme original para estabelecer um contato e influenciar as decisões de Nell.

Se por um lado temos mais uma vez uma tendência pessimista na atmosfera da produção, algumas soluções infantis acabam tornando o filme como um exemplar de um episódio de séries de TV como Supernatural (olhos negros, círculo com sal, símbolo que afasta o Mal…) Tentando não repetir a fórmula, Gass-Donnelly conduz seu trabalho sem muita empolgação ou surpresa, o que pode decepcionar os que esperam um destino diferente para certos personagens. Além disso, pode-se contar exatos dez sustos - daqueles que fazem o espectador saltar na cadeira do cinema devido ao som alto -, sendo que dois deles são idênticos, envolvendo a mesma sequência.

O Diabo não é tão feio quanto podem pintar por aí, mas deixará uma sensação amarga de perda de tempo. Os que odiaram o primeiro podem até ver uma certa qualidade neste prato comum; já aqueles que procuram novidades e viram no original as qualidades que o filme possui irão se decepcionar profundamente, torcendo que desta vez seja realmente o “último“.

7 Comentários

  1. A protagonista é tão feia que chega a ser simpática, mas ela executa bem o papel dela de assustada e por vezes alegrinha “saí do trauma”. O filme é até fácil de se assistir, mas não sei bem explicar o porquê disso, uma vez que ele não inova em nada. Muito boa a comparação com a já entediante Supernatural. Essa sequência só nos faz de palhaços, porque não sabemos o motivo de todos aqueles símbolos espalhados pela cidade e qual o interesse dos mascarados para com o fato do Abalam se “fundir” com sua amada Nell. E o bebê do primeiro filme que a própria Nell cita aqui? CADÊ?

    E Marcelo, nem esquenta com essas pseudocríticas atiradas aí pra ti e continue o excelente trabalho com teus textos!

  2. Na boa, O QUE SE TORNOU ESSE SITE?

    As criticas do Marcelo Milici estão vergonhosas de se ver!
    O problema não é divergências de opiniões e sim que ele não está sabendo analisar os filmes de uma forma NÃO TENDENCIOSA.

    Apesar dos gostos lembro que não via problemas nas criticas do M. Guerra, mas esse Milici tá tenso!

    Boca do Inferno (que era pra ser um site 100% underground) se tornou um OMELETE da Vida, só falta ter criticas do tal Erico Borgo na Boca.

    Triste!

    • Caro, Rodrigo!
      Em cada análise que me disponho a escrever, procuro apresentar aspectos positivos e negativos de uma produção. Não tem nada de tendencioso nisso, até mesmo porque muitos filmes atuais já foram apontados como bombas em minhas resenhas.
      No caso deste filme em questão, continuo com a minha opinião – e com meus argumentos: gostei do primeiro exatamente pela condução surpreendente do final, fazendo com que um simples found footage se transformasse num ritual de vinda de um demônio (bom, pelo menos, era o que eu acreditava). Já no segundo, apesar de extremamente falho, há momentos de entretenimento ali, como os tais dez sustos que eu mencionei e o final pessimista.

      De todo modo, agradeço pela opinião!

      Abraço…

  3. “O Diabo não é tão feio quanto podem pintar por aí, mas deixará uma sensação amarga de perda de tempo. Os que odiaram o primeiro podem até ver uma certa qualidade neste prato comum”

    Só se for no teu mundo, se o anterior era ruim e sem nexo (chupado num nível mais tosco possível de “O Bebê de Rosemary”) esse é ainda pior!
    Pior do Pior, não acontece nada nesse filme, não há sustos (só vozes do além e bem distantes), nada!

    S.P.O.I.L.E.R.S.:

    Agora a mina é a hospedeira do capeta e com o corpo dela ele pode aprontar o quanto quiser? WTF “O Escondido?”, pelo menos este era legal!

    Nulo!

  4. tiago moretti lopes

    gostei do primeiro,não espero nada desse segundo mas vou ver só para passar o tempo.

  5. Thiago Marques

    Curti muito o final do primero… embora, a ligação: A BRUXA DE BLAIR, não me saia da cabeça… Não é um filme totalmente ruim, mas, algumas coisas não são boas…
    Vou ver esse aqui, para ver se é melhor que o primeiro…

  6. vanessa vasconcelos

    eu achei o 1 apenas sem sal,mas assistirei esse pra ver se é um pouco melhor.

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